Financeiro
Postado em: 31/07/2020

Como calcular a anuidade escolar de forma prática?

A Lei nº 9.870/99 menciona que o valor do reajuste escolar deve ser proporcional à variação das despesas de pessoal e custeio do ano anterior. Portanto, trabalhar com a base de informações do período anterior ajuda a elaborar uma planilha mais assertiva.

A precificação da escola deve ser um processo transparente. O valor da anuidade, o reajuste, a divulgação da planilha de custos, que contempla cada valor e tarifa integrantes da anuidade escolar, dentre outras questões importantes, estão disciplinados na Lei nº 9.870/99 (Lei das Anuidades Escolares), sancionada em 1999 e que vigora até hoje.

Mas o que as instituições de ensino devem levar em consideração ao decidir o preço das anuidades? Como se adequar garantindo a qualidade de ensino? O coordenador e professor de programas de MBA da Universidade Positivo Marco Aurélio Pitta, que atua nas áreas Tributária, de Contabilidade e Auditoria, dá dicas importantes. Ele enfatiza que o maior peso na composição dos custos e despesas da escola é a folha de pagamento, o que é característico de uma empresa prestadora de serviço. “Encargos sobre a folha fazem os custos praticamente dobrarem. Por isso, trabalhar de forma mais eficiente, buscando a melhor composição em sala de aula (ensalamento), pode fazer a diferença”, orienta Pitta.

O QUE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO

Despesas

Material de uso/consumo, folha de pagamento das áreas administrativa e financeira, da secretaria, etc. Gastos com contingências e ações trabalhistas classificadas com risco provável de perda.

Tributos: impostos e contribuições tributárias incidentes sobre faturamento ou patrimônio. Exemplos: ISS, PIS, COFINS e Simples Nacional.

Margem de lucro pretendida

Como a escola é uma empresa, também deve trazer lucros para continuidade, reinvestimento e retorno esperado. Escolas no regime tributário do lucro real também têm que considerar que parte dessa margem deverá ser tributada por IRPJ e CSLL.

Valores detalhados da folha de pagamento dos professores

Salários e encargos sobre a folha de pagamento, como INSS, FGTS, férias, 13º salário e previsão para rescisão, por exemplo.

Fundo de reinvestimento

Investimentos e itens para a biblioteca devem ser contabilizados no “ativo imobilizado” e depreciados conforme vida útil estimada.

Impactos de inadimplência e custos financeiros

Na planilha de custo, a escola deve prever uma perda relativa à inadimplência. Esse valor é estimado e deve ser composto dos dados das perdas de anos anteriores. Deve-se considerar a perda dos últimos três anos, separada por segmento. As perdas são os valores, em percentual, não recebidos nos últimos três anos, sem considerar o ano em curso.

A fórmula certa

Existe uma fórmula simples para fazer o cálculo que define o preço da anuidade. Uma das técnicas mais utilizadas na metodologia de preço é o markup. Nessa técnica, basta a escola saber quais são seus custos fixos e aplicar percentuais para chegar ao preço-alvo.

DICA

A fórmula vai auxiliar sua escola na formação do preço de anuidade. O ideal é que essa composição seja separada por segmentos.

Para saber como fazer, acesse o software de Gestão Financeira, na área Financeira do site de Gestão Escolar.

ANUIDADE = CUSTOS FIXOS + DESPESAS FIXAS / (100% – % custos variáveis – % tributos – % margem de lucro) / NÚMERO DE ALUNOS

Veja um exemplo:

Custos/despesas fixas (aluguel, folha de pagamento, serviços de terceiros, etc.): R$ 1.500.000,00

Custos/despesas variáveis:

15% da mensalidade

Tributos sobre receita (ISS, PIS e COFINS): 5,65%

Margem esperada (lucro): 10%

Número de alunos: 100

Anuidade = 1.500.000 ÷ (100% – 15% – 5,65% – 10%) ÷ 100

Anuidade = R$ 21.629,42 

Mensalidade = R$ 1.802,45

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