Ensino
Postado em: 15/05/2021
Professor Motta

Entrevista com Professor Motta: Aprender de forma combinada é inovar

Entenda por que o blended learning tem tudo a ver com a educação nos dias de hoje

Com 23 anos de experiência em sala de aula, pesquisador, autor e entusiasta em inovações educacionais, o Professor Motta vem seguindo a trilha do Ensino Híbrido − ou blended learning − há muito tempo. Bem antes de esse conceito invadir as nossas vidas e passar a fazer parte da rotina escolar dos nossos filhos. 

Seu propósito é mudar as pessoas para que elas mudem o mundo ao seu redor. Tarefa que vem desempenhando como consultor para instituições com metodologias de vanguarda e tecnologias educacionais. Nesta entrevista, ele conta como podemos aproveitar essa grande oportunidade para deixar o aprendizado muito mais significativo para a geração que já nasceu digital e convive com tantas mudanças. 

O que é Ensino Híbrido e qual é a maior transformação que ele traz para a educação?

As escolas precisaram aprender rapidamente a aplicar o blended learning, que propõe algumas estratégias bem inovadoras para a “aprendizagem misturada”, que seria a tradução livre do termo em inglês. Em pleno século 21, é de fundamental importância que educadores adotem métodos que levem os alunos a colocarem a mão na massa, interagirem com os colegas e com o conteúdo, antes mesmo da aula. Com professores inspiradores e tecnologia educacional na medida certa, conseguiremos grandes transformações naquilo que hoje está sendo chamado de “ensino híbrido”. 

É bem diferente do que simplesmente pensar: aula na escola ou aula em casa, certo? 

Exatamente. Não podemos entender que o tal hibridismo educacional seja uma simples opção de estar em sala de aula ou diante de uma webcam. O que importa é o que está acontecendo nesses ambientes em prol da aprendizagem. 

É como se agora, na pandemia, os professores tivessem recebido de presente uma caixa com peças de lego. Se você entregar peças iguais para pessoas diferentes, cada uma fará uma montagem diferente da outra e cada “brinquedo” traz consigo algo especial e de valor para quem o construiu. Agora temos a oportunidade de montar cada aula de acordo com a necessidade de cada aluno ou turma, por isso não deixa de ser uma educação “à la carte”. E isso é mágico. 

Essas metodologias já vinham sendo estudadas e aplicadas há bastante tempo. Mas grande parte das famílias tem dúvidas sobre como isso está se refletindo na aprendizagem. O que você diria para elas?

Em 2021, faz sentido pedir para os alunos ficarem enfileirados, quietos, prestando atenção? Ou no quarto, folheando apostilas e fazendo resumos? Não. Isso é importante, mas temos inúmeras ferramentas para compor a educação e que fazem muito mais sentido para os seres humanos de uma sociedade criativa e hiperconectada. 

Portanto, pais, confiem em nós. Somos educadores e estamos preparados. Temos estudado muito este novo cenário da educação mundial. Faremos tudo com muito cuidado, não com achismos, mas com base em pesquisas e em fortes evidências científicas sobre a evolução da humanidade. Confiem na escola que vocês escolheram para os seus filhos.

Algo que incomoda a família é ver seus filhos em frente ao computador de câmera fechada fazendo outra coisa enquanto o professor fala. Como resolver isso? 

Antes da pandemia a câmera estava ligada? O fato de o professor enxergar os alunos em sala não significa que os alunos estão enxergando o professor. Da mesma forma que acontece no presencial, no on-line o professor é quem precisa criar condições para que os alunos se interessem. Professores  precisam de uma mudança de postura: colocar os alunos no centro do aprendizado sendo uma espécie de mediador do processo, construindo um espírito de aprendizagem colaborativa e ativa, implementando uma cultura de alunos protagonistas e construtores do próprio conhecimento. A tecnologia é ferramenta, mas a essência continua sendo o fator humano.

Depois de todo esse aprendizado, o que podemos esperar daqui pra frente? 

A escola precisou fechar as portas para que ela pudesse aprender. Quem trabalha com educação sabe a correria que é um ano letivo. Fomos obrigados a parar e pensar, a discutir os novos modelos de educação, que já mostram resultados incríveis em várias escolas de ponta no Brasil e no mundo. Tivemos espaço para a experimentação, a troca de experiência, abrimos o diálogo e estamos construindo uma trilha inovadora. 

Tem uma frase que eu sempre digo: a educação é impulsionada pelas mudanças do mundo, mas deveria ser o contrário. É a educação que deve impulsionar a transformação e a inovação. E agora temos a oportunidade de fazer isso. 

Como você vê o papel da família nessa transformação? 

A família nunca foi tão exigida. Pais que deixavam as crianças o dia todo na escola de repente viram a necessidade de acompanhar de perto o aprendizado dos filhos. Muitas mães e pais tiveram que conciliar seus trabalhos em home office com a educação das crianças, dividir espaço físico e computadores. No começo, muitos ficaram incomodados, mas veja bem, não é culpa da escola. Pelo contrário, a escola teve que ser muito rápida em trazer soluções para que os alunos pudessem continuar aprendendo em uma situação adversa. E isso também reforçou algo importante: a educação funciona como um tripé. Família, escola e alunos precisam caminhar juntos. Precisamos dessa parceria para construir um futuro melhor para os nossos filhos. 

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